Ouvi hoje alguns relatos referentes a casos singulares de formação de professores (do 1º e 2º ciclo) – de uma instituição particular (mas que poderão existir noutras modalidades em instituições públicas). De professores sem o mínimo de qualificações e de enquadramento institucional. De práticas sem o mínimo de consistência científica e pedagógica. De classificações profissionais próximas da nota máxima. Fácil de imaginar a mais completa ausência de auto-regulação e auto-avaliação. De controlo externo. A descredibilização total. Fácil de ver as consequências em termos de profissionalidade. De práticas de ensino. É por estas razões que a Prova de Acesso à profissão é um 'mal' necessário. Embora não deixe de ser imperativo intervir a montante.
José Matias Alves
Comentário
Há muito que me habituei a aprender com o José Matias Alves e raro é o dia que não visito, com proveito, o blog Terrear. Mas, caro Matias Alves, permite que discorde da tua afirmação final: "é por estas razões que a Prova de Acesso à Profissão é um mal necessário". Não acredito que concordes com uma Prova Nacional de Acesso à Profissão (Decreto Regulamentar 3/2008) que exige aos candidatos um mínimo de 14 valores em cada uma das três provas. Repara, Matias Alves, na incoerência e injustiça: um candidato a professor de Matemática pode reprovar caso tire 20 a Matemática e 13 a Língua Portuguesa. Qual será, em teoria, o melhor professor de Matemática: o que tira 20 a Matemática e 13 a Português ou o que tirou 14 a Matemática e 14 a Português? Não é injusto? E não achas injusto obrigar professores que andam a servir o sistema, como contratados, há vários anos, a prestarem as provas, correndo o risco de reprovarem? Há casos de professores que andam a servir o sistema há mais de 5 anos e que, por não terem 5 anos completos de serviço, vão ter de realizar a prova. E não achas injusto que os candidatos do Continente tenham de realizar uma prova que os candidatos da Madeira e dos Açores estão dispensados de fazer? E achas que existe alguma relação entre ser um professor competente e a obtenção de uma classificação de 14 valores em 3 provas escritas? Como é que essas provas escritas vão avaliar as competências relacionais, comunicacionais, didácticas e pedagógicas? Não achas que isto é tudo um absurdo e o resultado de uma política vingativa e punitiva?
In "Ramiro Marques"