25 de Abril

domingo, 19 de abril de 2009

Relembrar: Abril também teve o dedo de civis



Há quase 35 anos, Portugal acordou com militares na rua e um regime decrépito a render-se às evidências da História. De protesto castrense, assente em motivações de natureza meramente corporativa, o movimento que derrubou o Estado Novo evoluiu para contornos mais marcadamente políticos, que nos célebres 3 D - “descolonizar, democratizar, desenvolver” - encontrariam indubitável expressão.

É aos “capitães”, em primeiro lugar, que se deve o país livre que hoje somos. O 25 de Abril de 1974 foi feito com chaimites e fardas. Não prescindiu, porém, da colaboração cúmplice de um punhado de civis que, cada um à sua maneira, contribuíram para o sucesso. É essa parcela da História que o JN hoje recorda, consciente de que a participação civil no golpe está longe de esgotar-se nas cinco figuras apresentadas.

Pelas páginas seguintes passa o papel desempenhado pelo arquitecto Braula Reis, que cedeu o seu ateliê para a realização de uma das reuniões decisivas do Movimento das Forças Armadas, nas vésperas do golpe. Dos jornalistas João Paulo Diniz e Carlos Albino, os quais estiveram ligados à emissão via rádio das senhas que desencadearam as operações militares. De outro jornalista, Joaquim Furtado, que aos microfones do Rádio Clube Português leu o primeiro comunicado dos revoltosos, que arrancava com a frase-chave: “Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas”. Do advogado oposicionista Francisco Sousa Tavares, que nos tensos momentos que precederam a rendição de Marcello Caetano, num Largo do Carmo pejado de gente, ousou pegar num megafone para exortar à mobilização popular.

Nada menos de 197 militares no ateliê um arquitecto, situado no coração de Cascais. Ainda hoje Paulo Braula Reis duvida que aquela reunião do MFA, de 5 de Março de 1974, tenha passado despercebida à PIDE. “Deve ter sido um número de filme italiano”, observa o filho do proprietário do espaço, que então tinha apenas 17 anos.

João Braula Reis, que morreu há duas décadas, navegava nas águas dos católicos progressistas, com o seu amigo Nuno Teotónio Pereira, que recorda ao JN o “caminho comum”. Na oposição à Ditadura e nas lides profissionais - assinaram os dois o projecto do edifício “Franjinhas”, em Lisboa, distinguido com o prémio Valmor.

A ligação do arquitecto aos revoltosos foi feita através do irmão, capelão militar - hoje pároco da igreja de S. Domingos, em Lisboa - que conhecia Sanches Osório, um dos envolvidos. A decisão de ceder o ateliê foi partilhada com a família. “Tínhamos cinco filhos. Se desse para o torto, era complicado”, admite a viúva, Maria Eugénia, que sendo professora numa escola pública também corria riscos.

Não foi uma reunião qualquer, a de Cascais. Foi aquela em que, pela mão de Melo Antunes, o MFA adquiriu uma feição mais política e ideológica, graças à aprovação do ambicioso documento “O Movimento, as Forças Armadas e a Nação”.

Coragem e espírito solidário são as qualidades que evoca quem privou com João Braula Reis. Paulo, que nos tempos de estudante de Arquitectura alinhou em grupos contestatários, assegura: “Nunca vi o meu pai militante de coisa nenhuma. Não era homem de partido”. Após o 25 de Abril, ainda foram os dois (e a mãe) ao I Congresso do Movimento de Esquerda Socialista, onde pontificava Jorge Sampaio. Como militante, só Paulo, porque o pai não cedeu à tentação. Ao contrário de Teotónio Pereira, dirigente do MES e até candidato a deputado, João Braula Reis concentrou-se na actividade profissional. “Era muito autónomo. Nunca ambicionou cargos públicos e não queria ‘penachos’; até fugia disso”, afirma o filho.

O diálogo começou mais ou menos assim: “Tenho ali no carro os discos que te trouxe de Israel”. Estranhou a familiaridade de alguém que não conhecia, mas alinhou. O desconhecido apresentou-se, na discrição do automóvel: era capitão, chamava-se Costa Martins e precisava que ele emitisse o sinal para um golpe de Estado. Receoso de que o interlocutor fosse agente da PIDE, João Paulo Diniz recusou. “E se for o Otelo a pedir?”. Aí sim, talvez, mande-lhe um abraço meu… “Tem de ser hoje!”.

E foi: nesse dia 22 de Abril de 1974, no centro comercial Apolo 70, em Lisboa, encontrou-se com o homem com quem se cruzara na Guiné, entre 1970 e 72, quando cumpriu serviço militar como animador do “Programa das Forças Armadas”, o “Pifas”. Otelo foi directo ao assunto. Tratava-se “apenas” de derrubar o regime, para acabar com a guerra colonial e democratizar o país. “E se correr mal?”. Resposta pronta: “Nós vamos para o forte da Trafaria e tu, que és civil, para [a prisão de] Caxias”. João Paulo, que aos 25 anos não tinha ligações aos meios oposicionistas, ficou “comprometido a partir desse dia”.Subsistia um óbice: a hora a que eram emitidos os seus programas no Rádio Clube não servia. A alternativa seria o dos Emissores Associados de Lisboa. Ficou assente o teor da senha, a primeira da revolução, para as unidades militares da região: “Faltam cinco minutos para as 23 horas”, seguida da canção “E depois do adeus”. João Paulo rejeitou a opção por Zeca Afonso, passível de levantar suspeitas. O tema de Paulo de Carvalho, que vencera o Festival da RTP, estava na berra e ficava no ouvido.

Cumpriu a missão “muito sereno e com a noção da responsabilidade”. Nunca quis benesses, porque “o que se faz pela Pátria não se agradece”. Rende homenagem aos capitães, “que arriscaram tudo em troca de nada”, e a quem, anonimamente, se bateu contra o regime. Como o seu pai, Raúl, que pagou com a deportação por dois anos, em Cabo Verde, a luta pela liberdade.

O coronel da Censura estava lá, no estúdio, de onde, 19 minutos e dez segundos após a meia-noite do dia 25 de Abril, foi emitido o primeiro verso da canção de Zeca Afonso “Grândola, vila morena”. A senha estava dada, a nível nacional, através da Rádio Renascença, para que os militares partissem dos quartéis. Saíra de um registo magnético inserido no programa “Limite”, produção independente que alugava as antenas. O censor nada disse. A canção não integrava o index da rádio e o MFA saiu mesmo para a rua, naquela madrugada libertadora. Só dois homens presentes no estúdio sabiam da importância da gravação ir para o ar à hora certa, o realizador Manuel Tomás e o jornalista Carlos Albino, produtores do “Limite”.

“Estava combinado com o comando do MFA que a senha seria emitida entre os 19 e os 20 minutos depois da meia-noite. Exactamente às 0 e 19, quando o técnico ia carregar no botão para introduzir a gravação da publicidade, o Manuel Tomás deu-lhe um safanão e fez entrar o registo magnético. Dez segundos após o início da hora acordada”. Segundos de tensão que Carlos Albino recorda com precisão.

O jornalista, que fora oficial miliciano e estava por dentro das movimentações dos capitães, tinha preparado tudo. A canção-senha passara incólume pelo crivo da censura, um mês antes, quando o programa “Limite” emitira em directo o espectáculo de canto livre , onde Zeca Afonso, no Coliseu dos Recreios pejado de pides, cantou “Grândola, vila morena”.

“O teste estava feito e por isso foi a canção escolhida”. As horas seguintes naquele estúdio de rádio foram de nervosismo contido. Carlos Albino nada sabia do que se passava cá fora. Tinha ficado combinado que no final do programa dois elementos da confiança do MFA iriam buscá-lo, mas ninguém apareceu. Era um risco, porque a Renascença, vizinha do Governo Civil, fica perto da sede da PIDE. “Às 4 horas, fui com medo para casa e só às 6 obtive a informação de que tudo estava a correr bem”. De manhã, seguiu para a redacção do “República”, jornal onde então trabalhava.

Hoje, Carlos Albino está reformado. A gravação original da senha que há 35 anos fez história, devidamente restaurada, encontra-se à guarda da Fundação Mário Soares.

A voz certa estava no local certo à hora certa. Era a de Joaquim Furtado, um jovem de 26 anos “noticiarista, porque na ditadura, os jornalistas da rádio não eram jornalistas”, a quem cabia garantir os noticiários nas madrugadas das quintas-feiras, no Rádio Clube Português.

“Estava num gabinete a preparar as notícias que iria ler às 4 horas, quando dei pela presença, à minha frente, de um militar armado. Disse-me que havia um movimento militar e não explicou mais nada. Sabia-se que a situação político-militar no país era precária. Tinha havido o golpe das Caldas e existiam rumores de que os ‘ultras’, sob a chefia de Kaúlza da Arriaga, estavam a movimentar-se. Temi que fosse um golpe de Direita”, recorda. Quando o capitão Santos Coelho disse que o objectivo era depor o regime, fazer eleições livres, libertar os presos políticos e acabar com a censura, Joaquim Furtado não precisou ouvir mais nada. O MFA podia contar com ele.

Os capitães, que tinham escolhido o Rádio Clube para posto de comando, redigiram os comunicados para ler aos microfones, mas tinham esquecido um pormenor, a voz. Porque não a de um profissional de rádio, do único que estava ali, diante deles?

“Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas”. Com estas palavras, às 4h26m, da madrugada de 25 de Abril, Joaquim Furtado tornou-se a voz da revolução, ao ler o primeiro comunicado do MFA, emitido para todo o país.

Quem poderia aplacar a maré exultante que encheu rapidamente as praças e ruas de Lisboa, aderindo primeiro, e tomando conta depois, de uma revolução que só pecava por tardia? Só alguém que por ela, ou melhor, pela promessa de Democracia que dela emanava, tivesse lutado uma vida inteira. Como Francisco Sousa Tavares, o advogado e jornalista que participara activamente, em 1958, na campanha presidencial de Humberto Delgado - resultando daí a expulsão da função pública - depois de ter recusado, em 1947, a candidatura a deputado à Assembleia Nacional e o cargo de governador Civil de Castelo Branco, averbando ainda três detenções pela famigerada PIDE, por ser contrário à guerra colonial e não ter enjeitado a defesa, como jurista, de muitos comunistas.

Pois nesse memorável dia 25 de Abril, Sousa Tavares empunhou a sua melhor arma, o verbo feroz. De megafone na mão e do alto de uma guarita, foi o primeiro político a falar ao povo concentrado no Largo do Carmo, que aguardava a rendição de Marcello Caetano. Apesar de muita gente se sobrepor à sua voz amplificada aos gritos de “desce daí! Quem é que te encomendou o sermão?!”, o eficaz orador do Tribunal da Boa Hora conseguiu impedir a turba de destruir tudo o que simbolizasse o regime em agonia.

Embora monárquico, aderiu nesse mesmo ano ao PS, que abandonaria mais tarde. Após breve passagem pelo PRD, ingressou no PSD em 1981. Chegou a integrar a direcção do partido, em representação do qual ocuparia o cargo de ministro da Qualidade de Vida, em 1983, no Governo do Bloco Central. Morreu a 25 de Maio de 1993, pouco antes de completar 73 anos.

No Coliseu - Venham.Mais.Cinco (José Afonso) TvRip.By.Gui.

VENHAM MAIS CINCO

Zeca Afonso - Vampiros

Jose Afonso - O Que Faz Falta

Zeca Afonso - Canta Camarada

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Roger Waters - It's a Miracle

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Yes We Can! Greve Dia 3 Dezembro!

Yes We Can! Greve dia 3 de Dezembro. Pela Dignidade da profissão.



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GREVE NACIONAL DE PROFESSORES

DIA 3 DE DEZEMBRO

PORTIMÃO

8.30 h – Concentração à porta das Escolas

11.00 h – Concentração frente à Câmara Municipal

Com entrega de um Documento ao Executivo Camarário a explicar as razões da luta dos Docentes.

Em Frente Professores! Greve Total a 100%!

Todos à Concentração frente à Câmara!

Passar esta mensagem a todos



Yes We Can,PROFESSORES LUTAM PELA DIGNIFICAÇÃO DA SUA PROFISSÃO E EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA!



PROFESSORES LUTAM PELA DIGNIFICAÇÃO DA SUA PROFISSÃO
E EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA!

A Greve Nacional de Professores e Educadores prevista para amanhã, dia 3 de Dezembro, será uma das maiores de sempre. A unidade e coesão dos professores fazem-se sentir como nunca e a sua expressão traduzir-se-á numa elevadíssima adesão à greve de amanhã.

Ao partirem para esta greve, os professores colocam como objectivos estratégicos a defesa dos superiores interesses da Escola Pública, da qualidade do seu desempenho e das boas aprendizagens dos alunos. No imediato, e como pressuposto para o desbloqueamento da situação de profundo conflito que se instalou entre o Ministério da Educação e os professores, a exigência é a de suspensão do actual modelo de avaliação, a negociação de uma solução transitória, para este ano, que evite o recurso a actos administrativos e o início imediato da negociação de um novo modelo de avaliação a vigorar no futuro.

Este novo modelo de avaliação deverá ser negociado no âmbito de uma indispensável revisão do Estatuto da Carreira Docente que garanta, igualmente, a eliminação das quotas de avaliação e a o fim da divisão dos professores em categorias.

A bloquear o desenvolvimento de qualquer quadro negocial que envolva o ME e as organizações sindicais de professores encontram-se as posições de um Ministério da Educação que, intransigentemente, veta a possibilidade de suspender o seu modelo de avaliação e de o substituir por outro. E, nesse sentido, sem recuar ou ceder no que quer que seja, o ME limitou-se, até agora e apenas para este ano, a simplificar procedimentos do seu modelo de forma a garantir que se aplique.

Os professores e educadores rejeitam essa simplificação por saberem que ela representa a aplicação de um modelo que é incoerente, inadequado, injusto e inaplicável. Os professores exigem um modelo que seja cientificamente capaz, pedagogicamente adequado e promotor de melhorias nas práticas docentes e já o provaram em diversas acções que levaram a efeito ao longo do mês de Novembro, desde logo a Manifestação de dia 8, que juntou mais de 120.000 professores, e os protestos nas capitais de distrito que decorreram ao longo de toda a semana passada. Uma vez mais, amanhã, dia 3 de Dezembro, os professores dirão qual a sua vontade e os Sindicatos de Professores mais não terão do que respeitar e assumir as reivindicações da classe que representam. É o que farão!

Recorda-se que, a manter-se a intransigência do ME e do Governo, os professores levarão por diante outras acções que já se encontram previstas, como a vigília junto ao ME nos dias 4 e 5 de Dezembro e a realização de novas greves, por regiões, entre 9 e 12 de Dezembro.

Está nas mãos do ME e do Governo saber interpretar o sentimento dos professores e disponibilizar-se para que se encontre uma solução para este profundo conflito que, a não haver uma resposta positiva às reivindicações dos docentes, tenderá a agravar-se.

Depois da Greve de dia 3 de Dezembro, a Plataforma Sindical dos Professores considera estarem criadas as condições indispensáveis para que, num quadro absolutamente claro sobre a determinação dos professores e as suas posições, as negociações avancem, tendo como ponto de partida a suspensão do actual modelo de avaliação. Se o Governo não compreender isto e se mantiver, obsessivamente, na disposição de levar, até às últimas consequências, um braço de ferro com os professores e educadores portugueses, estará a optar, irresponsavelmente, por uma via que porá em causa o normal desenvolvimento do ano lectivo.

É necessário que as escolas voltem a viver num clima de tranquilidade, serenidade e estabilidade, mas, para que assim seja, é necessário que o ME e o Governo deixem de regar o incêndio com gasolina…

A Plataforma Sindical dos Professores



sábado, 29 de novembro de 2008

Yes We Can - Manifestação em Faro



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FARO - NEM A CHUVA E O FRIO GÉLIDO PARARAM OS PROFESSORES! EM FRENTE!
Cerca de 2 mil professores manifestaram-se na noite de dia 28 em Faro e exigiram a demissão da Ministra. Foi uma imensa manifestação de vontade em intensificar a luta contra o modelo de avaliação do desempenho burocrática e punitiva. Milhares de vozes gritaram que este modelo se encontrava de facto suspenso. Milhares de vozes que não calaram a revolta contra a Ministra da Educação debaixo de uma violenta chuva e de um frio de rachar. Durante esta grandiosa e heróica concentração os professores ficaram a saber que praticamente em todas as escolas e agrupamentos do Algarve a avaliação se encontra suspensa. Os professores não arredavam pé e vibravam aos gritos de Viva! e batiam as palmas sempre que era anunciada a suspensão em cada escola.
No final, Mário Nogueira, Secretário-Geral da Fenprof, que chegou directamente das manifestações realizadas no Alentejo, anunciou que esta avaliação se encontrava efectivamente suspensa pelos professores, apelidando a Ministra de analfabeta política por manter a sua posição prepotente, lançar o caos nas escolas e não ter sido capaz de ler os sinais. Os sinais é que toda a classe docente reprova esta avaliação e exige a sua suspensão. Apelou para que no dia 3 de Dezembro os professores façam a maior manifestação de sempre da sua História paralisando todas as escolas do país. Os professores não arredavam pé e gritavam bem alto exigindo a demissão de Maria de Lurdes. Um assunto que o governo Sócrates terá de resolver.
Força Professores! Dia 3 Paralização Total em todas as Escolas de Portugal! O caminho só pode ser a intensificação da luta.Apesar do mau tempo ( parece cabala da Sinistra), da chuva que nos brindou e do vento, foram perto de 2 mil professores que estiveram em faro exigindo a suspensão da avaliação.

As fotos:

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Sócrates manda calar Maria de Lurdes Rodrigues



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Para aí com mais de 40 meses de atraso.

Eu sei que em Portugal é habitual o atraso nas empreitadas e nas medidas inadiáveis, mas esta teve custos extremamente graves, nomeadamente a transformação da Educação em Portugal num delírio caótico, fruto de muito disparate legislado, mas também da criação de um clima irrespirável no sector, com uma absoluta impossibilidade de diálogo à conta da «firmeza» e «determinação» da senhora Ministra, qualidades que alguns reputam de excelentes, mas que qualquer fundamentalista religioso ditador convicto possuem em igual quantidade.

A «saída de cena» de MLR - apesar do alargado perfil ontem no Público, talvez à laia de epitáfio político, antes de rumar a outras paragens daqui por menos de um ano - é muito tardia para o bem da Educação em Portugal, mas é boa para demonstrar até que ponto se pode insistir num erro enorme de casting, pensando-se que isso é «coragem política».

Não, é apenas a clássica burrice.

Remeter Maria de Lurdes Rodrigues para uma segunda linha do combate político teria sido uma medida acertadíssima para o Governo, digamos assim, logo pelos finais de 2006, quando ainda estava em semi-estado de graça junto da imprensa e não tinha sido submetida à crueldade de um contraditório nas ruas, nos jornais, nos blogues e nas televisões.

Quando alguns poderiam ter ainda a ilusão que ela era uma espécie de Thatcher lusa, falhada que foi a encarnação anterior na pessoa de Leonor Beleza. quando podria parecer que tinha quebrado os sindicatos e a clase docente.

Agora, é tarde.

Com ela parece que também mandaram Valter Lemos voar baixinho. É justo. Os dois conseguiram unir, nem que seja de forma reactiva e visceral, quase toda a classe docentes, armandinas e santos excluídos que são pessoas de maior alcance de visão.

O problema é que, sob os holofotes, ficou Jorge Pedreira, agora finalmente desvendado para o grande público nas suas qualidades políticas e retóricas mais que duvidosas. Como a sua ministra, pedreira reage mal ao confronto, usa da tirada acintosa para com os professores com demasiada facilidade e tem dificuldade em esconder uma sobranceria cuja origem não se alcança.

O que não melhora grande coisa.

Mas, nesta mesma edição do Expresso, temos direito a uma peça sobre a actual ministra da Saúde e a forma como ela conseguiu, sem grandes inflexões para além do tom com que lida com as pessoas. Diz Ana Jorge que «é importante ouvir e saber estar no lugar dos outros».

Simples mas um universo de impossibilidades para Maria de Lurdes Rodrigues, demasiado preocupada consigo mesmo e com as suas vergonhas, que se esperam apenas políticas.

E Ana Jorge deixa-se entrevistar sem ser necessário apresentar fotos delicodoces a acompanhar. Porque há que ter pudor e sentido do lugar que se ocupa.

Maria de Lurdes Rodrigues vai ter um low-profile, dizem. É um acto de caridade para todos nós, já que não a podem afastar de vez. Mas poderiam, ao menos, trocar os secretários de estado e darem-nos alguém que seja suportável ver e ouvir?

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In A Educação do meu Umbigo

domingo, 23 de novembro de 2008

O pepino ditador

O pepino ditador

No quintal das traseiras, havia um pouco de tudo: couves, alfaces, cenouras, nabos, feijões, tomates e outros legumes, incluindo uma batateira que ali nascera por engano. Mas o mais bizarro dos habitantes da horta era um pepineiro muito especial.

Enraizado debaixo de uma laranjeira, foi esticando a haste em direcção a um exuberante e perfumado roseiral, ao lado da casa, onde se situava a torneira de rega e havia mais luz. E, exactamente nessa extremidade, ostentava o único pepino da sua criação. Com o tempo, o pepino foi engordando o corpo e a prosápia. Num ápice, tratou de dominar toda a horta, à custa das muitas artes e manhas que lhe surgiam não se sabe bem de onde. O seu principal argumento incluía um monumental paradoxo:

- Reparem bem: eu não sou um simples pepino. Reuno o melhor de dois mundos. Por via das raízes, ostento o delicado sabor das laranjas. E, por influência da vizinhança, exalo o perfume distinto das rosas. Se confiarem em mim, prometo que nada vos faltará e levarei a horta à prosperidade.

Os legumes deixaram-se levar, talvez por apatia, talvez porque não tivessem meios de desmentir a falácia. Mas, quando o dono da casa, ocupado com outros afazeres, descurou os cuidados da horta, o pepino aninhou o corpo rechonchudo na vala de rega e usurpou as poucas gotas que pingavam da torneira.

Aos restantes, ordenou:

- Todos devem fazer sacrifícios. Se necessário, adubai a terra que vos deu vida, com os vossos corpos moribundos. O futuro da horta está em causa, bla-bla, bla-bla, bla-bla…

A coisa piorou com o tempo. Os legumes mirravam de sede e o descontentamento levou alguns à revolta:

- Um pepino que sabe a laranjas e cheira a rosas? Balelas! O tipo é mas é um ‘ganda’ mentiroso. Ele quer é usurpar os nossos direitos - dizia um. Acicatada, toda a horta protestava:

- Deixa vir a água até nós. Não podemos aguentar mais sacrifícios as couves, as alfaces, as cenouras, os nabos, os feijões, os tomates e outros legumes, incluindo a batateira que ali nascera por engano, gritavam em coro:

- Mentiroso, mentiroso. Mentiroso.

Mas o pepino, colocado em posição estratégica, não abria mão dos seus privilégios. Ora, como não há mal que sempre dure, nem bem que se não acabe, um dia, o dono da casa foi ao quintal, de sachola em punho. Entre outras coisas, tinha na intenção apanhar umas folhas de couve para fazer uma sopa. Mas deu-se conta que estava tudo a morrer de sede. No caminho, topou com o pepino, verde e viçoso, e levou-o. Depois, abriu a torneira e dessedentou a horta. Com o produto da colheita, fez uma portentosa salada. Que se saiba, não sabia a laranjas, nem cheirava a rosas. Mas soube-lhe muito bem. Do pepino mentiroso, sobraram apenas as cascas, que os coelhos roeram com grande satisfação.

ENCONTRO NACIONAL DE ESCOLAS EM LUTA


A APEDE e o MUP vêm anunciar uma iniciativa conjunta: a realização de um «Encontro Nacional de Escolas em Luta» para o próximo dia 6 de Dezembro, em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva. O Encontro terá início às 10h e prolongar-se-á até às 17h, com intervalo para o almoço.
Apelamos a que todas as escolas que estão a desenvolver processos de resistência, nomeadamente através da suspensão da avaliação do desempenho, escolham dois representantes para participarem nesse Encontro.

Colegas,

A VOSSA PARTICIPAÇÃO NO ENCONTRO NACIONAL DE ESCOLAS EM LUTA É FUNDAMENTAL, SE QUISERMOS APROVEITAR TODA A ENERGIA CRIADA EM TORNO DA LUTA CONTRA O MODELO DE AVALIAÇÃO PARA COMBATERMOS TAMBÉM O ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE. É aí que devemos concentrar, doravante, todos os nossos esforços. Precisamos, pois, de reflectir em conjunto sobre as formas de luta e as acções mais adequadas para derrubar, a partir das nossas escolas, o Estatuto da Carreira Docente. Esse é o principal objectivo do Encontro que queremos promover.

Inscrições e informações através do e-mail
eneluta@gmail.com
As inscrições (gratituas) dos participantes devem conter os seguintes elementos: nome, escola, contacto telefónico.

Que força é essa amigo?



Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 3]

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes

(Que força...)

(Vi-te a trabalhar...)

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 10]